terça-feira, 25 de agosto de 2020

Séries Covid 19 - Saúde Pública

E agora, como será nosso mundo após a pandemia?

Não me lembro de ter vivenciado tal cenário caótico que esta situação pandêmica proporcionou a grande parte da população no mundo.

Observei que a desinformação, irresponsável e ou criminosa, proporcionou um pânico generalizado na população onde, por não saberem em que noticias acreditar se dispunham a seguir os cuidados indicados mais, por assim dizer, austeros, extremos, impondo-se ao auto-confinamento, pois era propagada pelos meios de comunicação, repito, de forma irresponsável e ou criminosa, uma sensação de fim do mundo.

Eu como cidadão cumpridor daquilo que solicitado pelas autoridades, mesmo não crendo em tudo que era determinado, procurava atender e respeitar aquilo que vigente foi determinado. Sempre digo que o fato de eu não concordar não me dá o direto de não respeitar. Entendo como uma regra de ouro para se viver bem em uma sociedade organizada.

Mas seguindo, entendo que as máscaras logo estarão caindo e retomaremos a nossa vida, não tão normal como era antes, pois historicamente toda a tragédia nos proporciona um repensar em como nos posicionávamos antes e como poderíamos passar a viver após o ocorrido.

Para tanto, no meu modesto entendimento, selecionei alguns temas, que apresentarei sobre a forma de uma serie, relacionados a serviços de utilidade pública, ao qual submeto a reflexões de como poderiam ser, aja visto o sensível momento que nos deparamos.

Série - 1 - Saúde Pública:

Uma pequena memória para nos situarmos.

Lembro-me que no final de fevereiro deste ano, iniciava-se a divulgação de alerta a população no sentido de que as pessoas somente procurassem recursos de atendimento a saúde caso entendessem que o seu estado poderia ser considerado grave, mais de que uma 'gripezinha'. Os representantes do SUS, canais de atendimento públicos de saúde, clamavam nos meios de comunicação que a população ficasse em casa para não se contaminarem com o Covid 19, pois as previsões dos números de pessoas que seriam infectadas, atualmente questionáveis, não poderiam ser atendidas adequadamente devido à extrapolação da capacidade de atendimento que o atual sistema de saúde proporcionava, lembram-se das famosas curvas de contágio versus linha de capacidade de atendimento, não tinham respiradores para todo mundo, etc..

Pois bem, isso hoje pede nossa atenção ao modelo existente, pois o que mais faltou foi a linha de frente para realizar o primeiro atendimento afim de que se pudesse tentar identificar os casos mais graves e proporcionar uma sensação de que um médico está me acompanhando. Se um médico estivesse mais próximo da população, promovendo uma primeira triagem dos casos, acredito que teríamos outros resultados.

Diante desse resumido cenário ocorrido, entendo que isso condenou o SUS como solução de atendimento ao público na esfera da saúde, pois quando se precisou deles, eles pediram para ficarmos em casa.

É importante mencionar que já fui conselheiro de uma Unidade Básica de Saúde, UBS Nova Brasília, representando os interesses dos usuários, onde pude presenciar situações a qual os gestores maiores desse serviço público deixam muito a desejar, quase parecendo que é importante o cenário de 'quanto pior melhor'. Tentar resolver o problema não interessa a determinados segmentos.

Para não me estender mais elencarei algumas sugestões que acredito que seriam muito mais eficazes no tratamento da saúde pública, pelo SUS:

  • Porque não terceirizar o primeiro atendimento, sejam em clínicas ou em consultórios médicos ou até mesmo, por opção do usuário, em casa;
  • Vale considerar que uma consulta médica numa clínica privada atualmente custa, em média, R$ 60,00 com direito a retorno e, às vezes até a uma amostra grátis. Estimo que o custo de funcionamento mensal de uma UBS (tipo Nova Brasília) não deve ser inferior a R$ 200.000,00, isso sendo uma estimativa muito por baixo, não contando depreciação de equipamentos, espaços físicos, etc.. Se este, não bem sucedido primeiro atendimento, promovido pelo SUS, fosse repassado para iniciativa privada seriam 3.333 pessoas atendidas, no dia de suas necessidades, sem filas e com a qualidade que elas merecem.
  • O poder público poderá contar que o valor da consulta seria mais baixo devido à escalabilidade obtida pelo volume de usuários.
  • O poder público desonerará os cofres públicos com o ônus dos custos de aposentadoria dos profissionais concursados.
  • Para os casos de atendimento a enfermidades que requeiram médicos com especializações em determinadas áreas, porque não terceirizar também;
  • Para os casos do atendimento de pessoas com extrema vulnerabilidade de saúde e ou locomoção porque não irem até as residências dessas pessoas.
  • Para pessoas que necessitem de um profissional tipo "Cuidador (a)", para assistir pacientes vulneráveis em suas residências. Também pode ser terceirizado para um profissional. Isso até poderia ser realizado por uma cuidadora membro da família, bastaria fazer um curso e abrir uma MEI.
  • Confirmarem os atendimentos agendados, através da tecnologia atual, rápida, de qualidade e grátis (torpedos, emails, whatsapp). Isso reduziria sensivelmente os prazos de espera em atendimentos e aproximaria o cidadão ao provedor de serviços.
  • Considerem que a terceirização dos serviços públicos poderá promover uma elevada qualidade na distribuição de renda à iniciativa privada bem como da qualidade promovida pela concorrência.

Bom, este assunto é, com certeza, muito amplo, mas entendo que o atual momento é bem oportuno.

Deverei estar postando, dentro da mesma série, temas de: Mobilidade Urbana, Escola Pública, Segurança e outros da esfera pública. Aguardem e nos prestigiem.

Façam seus comentários e sugestões para podermos construir um consenso daquilo que merecemos como dignidade nos serviços ao cidadão.

 

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