E agora, como será nosso mundo após a pandemia?
Não me lembro de ter vivenciado tal cenário caótico que esta
situação pandêmica proporcionou a grande parte da população no mundo.
Observei que a desinformação, irresponsável e ou criminosa,
proporcionou um pânico generalizado na população onde, por não saberem em que
noticias acreditar se dispunham a seguir os cuidados indicados mais, por assim
dizer, austeros, extremos, impondo-se ao auto-confinamento, pois era propagada
pelos meios de comunicação, repito, de forma irresponsável e ou criminosa, uma
sensação de fim do mundo.
Eu como cidadão cumpridor daquilo que solicitado pelas
autoridades, mesmo não crendo em tudo que era determinado, procurava atender e
respeitar aquilo que vigente foi determinado. Sempre digo que o fato de eu não
concordar não me dá o direto de não respeitar. Entendo como uma regra de ouro
para se viver bem em uma sociedade organizada.
Mas seguindo, entendo que as máscaras logo estarão caindo e
retomaremos a nossa vida, não tão normal como era antes, pois historicamente
toda a tragédia nos proporciona um repensar em como nos posicionávamos antes e
como poderíamos passar a viver após o ocorrido.
Para tanto, no meu modesto entendimento, selecionei alguns
temas, que apresentarei sobre a forma de uma serie, relacionados a serviços de
utilidade pública, ao qual submeto a reflexões de como poderiam ser, aja visto
o sensível momento que nos deparamos.
Série - 1 - Saúde Pública:
Uma pequena memória
para nos situarmos.
Lembro-me que no
final de fevereiro deste ano, iniciava-se a divulgação de alerta a população no
sentido de que as pessoas somente procurassem recursos de atendimento a saúde
caso entendessem que o seu estado poderia ser considerado grave, mais de que
uma 'gripezinha'. Os representantes do SUS, canais de atendimento públicos de
saúde, clamavam nos meios de comunicação que a população ficasse em casa para
não se contaminarem com o Covid 19, pois as previsões dos números de pessoas que
seriam infectadas, atualmente questionáveis, não poderiam ser atendidas
adequadamente devido à extrapolação da capacidade de atendimento que o atual
sistema de saúde proporcionava, lembram-se das famosas curvas de contágio
versus linha de capacidade de atendimento, não tinham respiradores para todo
mundo, etc..
Pois bem, isso hoje
pede nossa atenção ao modelo existente, pois o que mais faltou foi a linha de
frente para realizar o primeiro atendimento afim de que se pudesse tentar
identificar os casos mais graves e proporcionar uma sensação de que um médico
está me acompanhando. Se um médico estivesse mais próximo da população,
promovendo uma primeira triagem dos casos, acredito que teríamos outros
resultados.
Diante desse
resumido cenário ocorrido, entendo que isso condenou o SUS como solução de
atendimento ao público na esfera da saúde, pois quando se precisou deles, eles
pediram para ficarmos em casa.
É importante
mencionar que já fui conselheiro de uma Unidade Básica de Saúde, UBS Nova Brasília,
representando os interesses dos usuários, onde pude presenciar situações a qual
os gestores maiores desse serviço público deixam muito a desejar, quase
parecendo que é importante o cenário de 'quanto pior melhor'. Tentar resolver o
problema não interessa a determinados segmentos.
Para não me
estender mais elencarei algumas sugestões que acredito que seriam muito mais
eficazes no tratamento da saúde pública, pelo SUS:
- Porque não terceirizar o primeiro atendimento, sejam em clínicas ou em
consultórios médicos ou até mesmo, por opção do usuário, em casa;
- Vale considerar que uma
consulta médica numa clínica privada atualmente custa, em média, R$ 60,00 com
direito a retorno e, às vezes até a uma amostra grátis. Estimo que o custo de
funcionamento mensal de uma UBS (tipo Nova Brasília) não deve ser inferior a R$
200.000,00, isso sendo uma estimativa muito por baixo, não contando depreciação
de equipamentos, espaços físicos, etc.. Se este, não bem sucedido primeiro
atendimento, promovido pelo SUS, fosse repassado para iniciativa privada
seriam 3.333 pessoas atendidas, no dia de suas necessidades, sem filas e
com a qualidade que elas merecem.
- O poder público poderá contar que o valor da consulta seria mais baixo
devido à escalabilidade obtida pelo volume de usuários.
- O poder público desonerará os cofres públicos com o ônus dos custos de
aposentadoria dos profissionais concursados.
- Para os casos de atendimento a enfermidades que requeiram médicos com
especializações em determinadas áreas, porque não terceirizar também;
- Para os casos do atendimento de pessoas com extrema vulnerabilidade de
saúde e ou locomoção porque não irem até as residências dessas pessoas.
- Para pessoas que necessitem de um profissional tipo "Cuidador
(a)", para assistir pacientes vulneráveis em suas residências. Também pode
ser terceirizado para um profissional. Isso até poderia ser realizado por uma
cuidadora membro da família, bastaria fazer um curso e abrir uma MEI.
- Confirmarem os atendimentos agendados, através da tecnologia atual,
rápida, de qualidade e grátis (torpedos, emails, whatsapp). Isso reduziria
sensivelmente os prazos de espera em atendimentos e aproximaria o cidadão ao
provedor de serviços.
- Considerem que a terceirização dos serviços públicos poderá promover uma
elevada qualidade na distribuição de renda à iniciativa privada bem como da
qualidade promovida pela concorrência.
Bom, este assunto
é, com certeza, muito amplo, mas entendo que o atual momento é bem oportuno.
Deverei estar
postando, dentro da mesma série, temas de: Mobilidade Urbana, Escola Pública,
Segurança e outros da esfera pública. Aguardem e nos prestigiem.
Façam seus
comentários e sugestões para podermos construir um consenso daquilo que
merecemos como dignidade nos serviços ao cidadão.