quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Mas afinal, qual é o perfil do nosso cidadão?

Ontem, 26/08/2020, foi o dia de duas datas muito expressivas onde comemoramos o 'Dia Internacional da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão' e o 'Dia Internacional da Igualdade da Mulher', estes temas nos provocam a refletir sobre o que definimos como 'Cidadão', termo que muito ouviremos ser expressados por pessoas que almejam algum cargo de representação dos interesses público de cada comunidade.

Sem procurar qualquer significado em dicionários, tenho um rápido entendimento que a palavra, que por sí só, é muito abrangente e que, por isso, no momento atual, quando citadas em glamorosos apelos de campanha, estas representem, independentemente do gênero e idade, o perfil social daquela maioria de pessoas (Pareto 80/20), que compõem o coletivo de nossa sociedade. 

Vejam bem, até para que se possam melhor distribuir os recursos destinados ao atendimento ao cidadão, isso faria com que se fossem priorizadas aquelas necessidades que representassem a maioria dos cidadãos, digamos 80% dos recursos para 80%  para atendimento das demandas desta camada de cidadão, como por exemplo: 

  • Qual o perfil do cidadão que terá tempo para desfrutar da sensacional obra realizada, e ainda em curso, da nossa orla do Guaíba, os que representam 80% da renda média da população ou os 20% que possuem condições de bancarem títulos de associações e ou clubes privados?;
  • Qual o perfil do cidadão que necessitaria de maiores investimentos na saúde pública, como aumento das capacidades de atendimento, os 80% que praticamente só possuem o SUS como solução ou os 20% que possui condições de manterem um plano de saúde complementar.
  • Qual o perfil do cidadão que se utiliza do transporte público, os 80% dos trabalhadores ou os 20% que possuem condições de bancarem os exorbitantes valores praticados por vagas em estacionamentos.
  • E outras tantas coisas a serem avaliadas...
Então peço que considerem e cobrem este entendimento de seus, atuais e futuros representantes públicos, para que nós cidadãos sejamos tratados como 'clientes' e não simplesmente como 'usuários' reféns de serviços que são disponibilizados pelas instancias públicas. Vejam bem, todo serviço público, já foi pago através da compulsória cobrança de nossos impostos, portanto, devemos sentir que nossas necessidades estão a altura de nossas expectativas. 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Séries Covid 19 - Saúde Pública

E agora, como será nosso mundo após a pandemia?

Não me lembro de ter vivenciado tal cenário caótico que esta situação pandêmica proporcionou a grande parte da população no mundo.

Observei que a desinformação, irresponsável e ou criminosa, proporcionou um pânico generalizado na população onde, por não saberem em que noticias acreditar se dispunham a seguir os cuidados indicados mais, por assim dizer, austeros, extremos, impondo-se ao auto-confinamento, pois era propagada pelos meios de comunicação, repito, de forma irresponsável e ou criminosa, uma sensação de fim do mundo.

Eu como cidadão cumpridor daquilo que solicitado pelas autoridades, mesmo não crendo em tudo que era determinado, procurava atender e respeitar aquilo que vigente foi determinado. Sempre digo que o fato de eu não concordar não me dá o direto de não respeitar. Entendo como uma regra de ouro para se viver bem em uma sociedade organizada.

Mas seguindo, entendo que as máscaras logo estarão caindo e retomaremos a nossa vida, não tão normal como era antes, pois historicamente toda a tragédia nos proporciona um repensar em como nos posicionávamos antes e como poderíamos passar a viver após o ocorrido.

Para tanto, no meu modesto entendimento, selecionei alguns temas, que apresentarei sobre a forma de uma serie, relacionados a serviços de utilidade pública, ao qual submeto a reflexões de como poderiam ser, aja visto o sensível momento que nos deparamos.

Série - 1 - Saúde Pública:

Uma pequena memória para nos situarmos.

Lembro-me que no final de fevereiro deste ano, iniciava-se a divulgação de alerta a população no sentido de que as pessoas somente procurassem recursos de atendimento a saúde caso entendessem que o seu estado poderia ser considerado grave, mais de que uma 'gripezinha'. Os representantes do SUS, canais de atendimento públicos de saúde, clamavam nos meios de comunicação que a população ficasse em casa para não se contaminarem com o Covid 19, pois as previsões dos números de pessoas que seriam infectadas, atualmente questionáveis, não poderiam ser atendidas adequadamente devido à extrapolação da capacidade de atendimento que o atual sistema de saúde proporcionava, lembram-se das famosas curvas de contágio versus linha de capacidade de atendimento, não tinham respiradores para todo mundo, etc..

Pois bem, isso hoje pede nossa atenção ao modelo existente, pois o que mais faltou foi a linha de frente para realizar o primeiro atendimento afim de que se pudesse tentar identificar os casos mais graves e proporcionar uma sensação de que um médico está me acompanhando. Se um médico estivesse mais próximo da população, promovendo uma primeira triagem dos casos, acredito que teríamos outros resultados.

Diante desse resumido cenário ocorrido, entendo que isso condenou o SUS como solução de atendimento ao público na esfera da saúde, pois quando se precisou deles, eles pediram para ficarmos em casa.

É importante mencionar que já fui conselheiro de uma Unidade Básica de Saúde, UBS Nova Brasília, representando os interesses dos usuários, onde pude presenciar situações a qual os gestores maiores desse serviço público deixam muito a desejar, quase parecendo que é importante o cenário de 'quanto pior melhor'. Tentar resolver o problema não interessa a determinados segmentos.

Para não me estender mais elencarei algumas sugestões que acredito que seriam muito mais eficazes no tratamento da saúde pública, pelo SUS:

  • Porque não terceirizar o primeiro atendimento, sejam em clínicas ou em consultórios médicos ou até mesmo, por opção do usuário, em casa;
  • Vale considerar que uma consulta médica numa clínica privada atualmente custa, em média, R$ 60,00 com direito a retorno e, às vezes até a uma amostra grátis. Estimo que o custo de funcionamento mensal de uma UBS (tipo Nova Brasília) não deve ser inferior a R$ 200.000,00, isso sendo uma estimativa muito por baixo, não contando depreciação de equipamentos, espaços físicos, etc.. Se este, não bem sucedido primeiro atendimento, promovido pelo SUS, fosse repassado para iniciativa privada seriam 3.333 pessoas atendidas, no dia de suas necessidades, sem filas e com a qualidade que elas merecem.
  • O poder público poderá contar que o valor da consulta seria mais baixo devido à escalabilidade obtida pelo volume de usuários.
  • O poder público desonerará os cofres públicos com o ônus dos custos de aposentadoria dos profissionais concursados.
  • Para os casos de atendimento a enfermidades que requeiram médicos com especializações em determinadas áreas, porque não terceirizar também;
  • Para os casos do atendimento de pessoas com extrema vulnerabilidade de saúde e ou locomoção porque não irem até as residências dessas pessoas.
  • Para pessoas que necessitem de um profissional tipo "Cuidador (a)", para assistir pacientes vulneráveis em suas residências. Também pode ser terceirizado para um profissional. Isso até poderia ser realizado por uma cuidadora membro da família, bastaria fazer um curso e abrir uma MEI.
  • Confirmarem os atendimentos agendados, através da tecnologia atual, rápida, de qualidade e grátis (torpedos, emails, whatsapp). Isso reduziria sensivelmente os prazos de espera em atendimentos e aproximaria o cidadão ao provedor de serviços.
  • Considerem que a terceirização dos serviços públicos poderá promover uma elevada qualidade na distribuição de renda à iniciativa privada bem como da qualidade promovida pela concorrência.

Bom, este assunto é, com certeza, muito amplo, mas entendo que o atual momento é bem oportuno.

Deverei estar postando, dentro da mesma série, temas de: Mobilidade Urbana, Escola Pública, Segurança e outros da esfera pública. Aguardem e nos prestigiem.

Façam seus comentários e sugestões para podermos construir um consenso daquilo que merecemos como dignidade nos serviços ao cidadão.

 

Série Covid 19 - Segurança Pública

E agora, como será nosso mundo após a pandemia?

No segmento de Segurança Pública, também se percebe como a pandemia, ocasionada pelo Covid 19,  nos provoca um repensar em como as coisas poderiam ser diferentes, portanto vejamos:

Tenho acompanhado depoimentos de autoridades públicas, das áreas ligadas a segurança, onde são apresentados vários projetos muito bem intencionados, propondo inúmeras soluções para a melhoria dos serviços no segmento para que o cidadão tenha uma melhor percepção de se sentir seguro.

Eu, como cidadão ora assistido e observador crítico de todas estas iniciativas não posso deixar de manifestar que meu sentimento é que todas essas melhorias culminarão naquela tão conhecida frase denominada 'Secar Gelo', pois de que adianta se investir em soluções tecnológicas, treinamentos, entre outros infinitos investimentos, se no final não se consegue manter preso os criminosos, principalmente os reincidentes.

Sempre que posso, questiono gestores ligados a área de segurança pública, e estes sempre validam que meu sentimento é verdadeiro, que cerca de 60% a 70% do volumes de crimes cometidos são realizados por criminosos reincidentes, soltos pelos representantes do sistema de justiça, não importando o impacto que isso acarreta ao cidadão vitimado. Para estes representantes, a aplicação da justiça cega aos criminosos reincidentes parece ser somente um negócio bem rentável para a categoria. 

Já postei nesse canal uma reflexão que intitulei 'Impunidade - Uma Porta para o Inferno' onde me refiro a exatamente isso. 

Comparem as boas intenções dos gestores públicos, manifestadas através de excelentes projetos que culminarão com a prisão / detenção de transgressores, como se estes projetos fossem uma torneira despejando soluções em uma caixa d'água, a caixa d'água o ambiente de contenção para todos os problemas de transgressões relacionados à segurança, mas, um problema, esta caixa d'água possui uma brecha que deixa boa parte da água, escaparem, e com isso não permitindo que a caixa atinja aos níveis mínimos desejados (boia não funciona) na contenção a criminalidade, ensejando frustração ao cidadão refém deste sinistro 'mecanismo'.

Não sou uma autoridade no assunto, mas entendo que o cenário seria diferente se de, alguma forma, dentro de alguma instancia legal de calamidade social, se atribuísse uma responsabilidade solidária a quem se dispor soltar criminosos reincidentes, sob a forma de indenização às vitimas abusadas em suas integridades físicas e patrimoniais.  

Entendo também como inevitável a procura de soluções que visem a melhoria do monitoramento preventivo como forma de mitigar a incidência de novos crimes, através da tecnologia atualmente existente, o cercamento eletrônico através de câmeras, e porque não drones, já são uma realidade. O comando geral de monitoramento das áreas públicas ligadas a segurança podem terceirizar a operação de captura das imagens minimizando os impactos financeiros da operação em sí. 

Por último, constatei que a máquina pública possui tudo para proporcionar ao cidadão, melhores níveis de qualidade nesse serviço, sem precisar alocar grandes investimentos na operacionalização dos serviços. Acredito na terceirização da operação dos serviços pois é infinitamente mais barata aos cofres públicos.

Como sempre, agradeço a atenção e permaneço a disposição para seus comentários.

Cordial abraço.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Série Covid 19 - Mobilidade Urbana

E agora, como será nosso mundo após a pandemia?

A totalmente indesejada pandemia, ocasionada pelo Covid 19,  fez com que modelos de comportamento do dia a dia do cidadão, fossem colocados a prova, a no mínimo, num repensar em como as coisas poderiam ser diferentes tais como, vejamos o item Mobilidade Urbana. 

lockdown imposto pelos gestores públicos às suas comunidades demonstrou como poderia ser diferente o serviço de transporte público de passageiros no meio urbano, pois se constatou como esses serviços de transportes de passageiros, quando proporcionado por aplicativos, para pequenos trajetos, são incomparavelmente melhores, são mais rápidos, são mais confortáveis e são mais baratos, isso se forem comparados ao prestado pelas empresas que possuem a concessão destes serviços, como ônibus, lotações e táxis.

Ficou evidente como a população sempre ficou a mercê, para não dizer refém, desses concessionários onde o cliente, usuário do serviço não conseguiu se fazer ouvir de forma tão imediata, pois nunca foi constituído um meio 'on line real time' de se pontuar o serviço realizado e muito menos o nível de qualidade e satisfação do usuário do serviço como os aplicativos de transporte proporcionam. 

A competitividade entre os modais de aplicativos promove aos usuários do serviço uma competição sadia e justa nos preços praticados, e da qualidade oferecida, o que é muito diferente no modal tradicional atual, totalmente engessado e sem nenhuma forma de se combater os excessos ou o mau serviço prestado. 

Outra insanidade que o modal tradicional atual, compulsoriamente aplica aos usuários do serviço é o fato de se pagar antecipadamente os vales transportes e os recursos, benefício direto do usuário fica alocado em bandeiras engessadas, que nem ao menos remuneram os valores dos créditos e muito menos atualizam os valores sob a forma de passes adquiridos. 

Isto nos permite algumas reflexões, do tipo:

  • Porque não atribuir um valor a título de km rodado para reembolso aos colaboradores do vale transporte. 
  • Porque tenho que limitar meus 'créditos' dos vales transporte a somente as empresas concessionárias. 
  • Porque não propomos ajustes nas leis para que possamos possuir um cartão pré-pago, com as bandeiras que o usuário quiser ter, tipo Mastercard, Visa, etc.. e usá-los para colocar gasolina na minha moto ou carro para ir de aplicativo ou de ônibus, enfim, naquilo que eu bem quiser quanto a transporte.
  • Para que não se provoque injustiças e não sermos excludentes aos atuais empresários do segmento, porque não convidá-los a concepção de um novo modal de transporte urbano. Eles poderiam constituir um consórcio e apresentarem um projeto para Porto Alegre, tipo um trem aéreo em formato que atenda toda a extensão da nossa cidade.

Claro, ainda existem muitas coisas a serem melhoradas no novo modelo provocado pelos aplicativos para que proporcionem maior segurança aos passageiros e ao condutor. 

Bom, acho que o momento é bem oportuno para reavaliarmos ambos modelos Tradicional X Novo, para que possamos sempre assegurar que o cidadão é cliente e não pode ser refém de nenhum modelo de serviços que possam fornecer ao mesmo. 

Vale sempre lembrar que, em situações de excelência, a competição é o que define a qualidade e o preço justo dos serviços.

Vamos entender isso e cobrar de nossos gestores públicos estes tipos de respeito.