sexta-feira, 10 de julho de 2020

Dimensões do Tempo X Nossas Expectativas (Reedição)

- Será que temos o real entendimento de que o nosso atual Presente nada mais é do que o nosso Futuro pensado no Passado?

 De vez em quando me vejo pensando e observando o comportamento e tentando entender o pensamento dos nossos jovens, o que me dá uma impressão que parecem cobrar algo da nossa geração, como se no nosso tempo presente as coisas deveriam ou poderiam ser melhores, que antigamente as coisas eram muito mais fáceis e por algum motivo, nós, dos tempos atrás, erramos em não estarmos na altura das atuais expectativas deles.
 Paro para refletir sobre isso e me pergunto se hoje, com um pouco mais de 60 anos, estou realizando tudo que teria planejado e ou sonhado quando tinha meus 20 e poucos anos.
 Não sei se minhas expectativas naquela época eram tão exuberantes como a de ter uma profissão que me tornasse um milionário ou alguém de sucesso, como ser um famoso jogador de futebol, um renomado escritor, um visionário que criou redes sociais ou sistemas de computador, enfim, alguém diferente da minha realidade atual, que não precisasse se preocupar constantemente em manter a família sobrevivendo com um mínimo de dignidade.  Aliais, creio que constituir uma família com dignidade seria o nosso maior e mais exitoso objetivo previsto pela sociedade na minha época.
 Olho em volta e, dentro das condições políticas, econômicas e sociais que vivenciei, percebo que até que não fui tão mau, pois com o fruto do meu trabalho, consegui construir minha casa, constituir um família maravilhosa, me formar, formar meus filhos e minha esposa, ter uma aposentadoria limitada ao teto do INSS para trabalhadores privados (teto menos fator previdenciário), ter muitos amigos, ser bem recebido em todos os lugares por onde circulo. Diria que cumpri com as expectativas previstas pela sociedade da minha época.
 Então, como lidar com esse sentimento de que as coisas poderiam serem melhores? Preciso parar de pensar nisso e aproveitar melhor a vida com humildade ou continuar a me esforçar para me propor novos desafios, apesar das minhas limitações impostas pelos meus 60 e poucos anos?
 Sofro em pensar de como lidar com as expectativas daqueles a quem amamos, pois as nossas expectativas são sempre postas em cheque e revalidadas no presente em que ocorram, para que nos ajustemos às expectativas de nossa esposa, nossos filhos, nossos amigos. Sempre procuramos integrarmos os objetivos individuais almejados para que todos consigam obtê-los, senão na sua totalidade pelo menos o mais próximo possível daquilo que todos projetamos e ou sonhamos. 
 Uma outra coisa me preocupa, a própria sociedade, através dos sistemas de comunicação, parece nos impelir a nunca estarmos satisfeitos. Temos que ter o melhor celular, a melhor televisão, o melhor... o melhor.. Isso parece não ter fim nem limites.
 Temos que considerar que tudo o que planejamos hoje, para o futuro, constitui-se em novas expectativas, para o curto ou médio prazo. Todas essas novas expectativas não se sujeitam a magias, todas vivem a realidade imposta ao seu atual presente social, político e econômico para se tornarem realizáveis.
 Chego a uma conclusão, com dúvidas, se não seria o caso de que talvez devêssemos tentar nos abstrair, com mais veemência, desse sentimento de que 'esperam sempre mais e mais de nós' e fazer com que nossas expectativas prioritárias sejam as de vivermos mais intensamente nossos amores, nossas amizades, viajarmos mais, lermos mais, brincarmos mais. Sem que nos sintamos deixando de atender algo ou alguém.
Gostaria de saber se existem muitos outros com esses tipos de sentimento.
Grato pela atenção e permaneço a disposição de criticas e contribuições.

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